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Esse artigo é um relato informal da experiência pessoal do autor com o estudo e prática da Programação Neurolingüística e de conhecimentos afins. Além disso, inclui alguns comentários sobre outras abordagens comportamentais, cuja busca e aprendizado foram empreendidos graças ao despertar de um interesse insaciável pelo aprendizado permanente, que assola muitos aprendizes e estudiosos da PNL.
Por ocasião do 1º Congresso Sulamericano de Programação Neurolingüística realizado no Rio de Janeiro em setembro de 2003, fui convidado para palestrar sobre o relacionamento da PNL com a Aprendizagem. Considerado o alto nível dos colegas conferencistas, o que por si só já garante um grande rigor técnico nas conceituações e conhecimentos já familiares do público interessado, decidi desviar-me de apresentações teóricas ou práticas e substituí-las por um testemunho bastante pessoal que inclui memórias, reflexões e fatos vividos, intimamente relacionados com os benefícios adquiridos com a prática, estudo e aprendizado da PNL. Portanto, esse texto é um registro da apresentação sobre Aprendizagem nesse congresso.
Como estudioso e explorador dos processos de aprendizagem, mediação e educação especialmente de adultos, gosto muito de mencionar que uma de minhas importantes qualidades enquanto educador é uma certa dificuldade de aprender! Graças a ela, é comum a necessidade de um certo esforço e dedicação para conquistar novos desafios de adquirir novas competências e aprender...
Entretanto, quando eu realmente aprendo algo, então sou capaz (e talentoso nisso) de destrinchar o processo em partes e seqüências educativas para facilitar a conquista desse aprendizado por qualquer outra pessoa que o busque de uma forma mais simples e prazerosa. Já fiz isso algumas vezes com a elaboração de metodologias de aprendizado para as seguintes competências (em ordem cronológica): prática e ensino do tênis (método Hermann's Light Tennis especial para o ensino de adultos); Estratégias de Aprendizado (dentro da filosofia do "Aprender a Aprender"); idiomas (com a construção do método OLeLaS - Sistema de Aprendizado Aberto de Idiomas, também para o desbloqueio de adultos com dificuldades de dominar outras línguas, especialmente o inglês); a Hipnose (para o uso cotidiano num contexto de auto-conhecimento) e os mapas mentais (simples e poderosa ferramenta de organização, classificação, memorização e síntese de informações).
Desde quando o aprendizado tornou-se o meu mais desafiador campo de pesquisa, eu cheguei a uma conclusão essencial: estabeleci a condição de estar aprendendo algo novo enquanto desejasse manter tais pesquisas e estudos! Dessa forma, eu pratico tênis, Tai Chi Chuan e hipnose há mais de vinte anos - essa é uma incongruência comum em muitos estudiosos da aprendizagem: não se disporem a serem aprendizes permanentes! Eu considero isso importante para que a condição de principiante nunca seja perdida (o que nos garante uma humildade significativa) assim como a atitude de explorador (o que nos incita ao exercício da coragem e da disposição de tentar, errar e acertar até que esteja consolidada uma nova competência).
Assim, no presente, além de treinar tênis com a mão esquerda (embora seja um destro natural) e aprender Aikidô e Bateria, eu sou um assíduo freqüentador de cursos, seminários e congressos! Tais experiências de aprendizado são também motivadas por razões que transcendem minhas pesquisas sobre formas de aprender ao buscar práticas que incluam a coordenação motora, pois já foi cientificamente comprovado ser possível aumentarmos a massa cerebral de neurônios (e conseqüente acréscimo na nossa capacidade de aprender e reter mais conhecimentos) se estimularmos devidamente o nosso organismo. Os astrócitos (células nervosas abundantes em nosso cérebro) são neurônios em estado germinal que, quando estimulados pela presença de alguns mediadores simpáticos (adrenalina, noradrenalina, dopamina e serotonina) desenvolvem seus novos axônios, estabelecem novas sinapses e entram em atividade na rede neural de organização e retenção de aprendizados! Isso proporciona um aumento de capacidade de armazenamento. Assim, somente nas últimas duas décadas, foi que os neurocientistas validaram um antigo lema dos educadores, que afirma que aprender é um processo profundo apenas quando for cognitivo (o que, como e porquê), afetivo (necessito, quero, desejo ou gosto) e motor (faço). Embora sejam pouquíssimos educadores, especialmente na educação formal, aqueles que verdadeiramente promovem a estimulação de todas essas dimensões de experiência em seus aprendizes e alunos.
Dessa forma, razões de origem transcendente podem ser tão ou mais motivantes que a necessidade, o desejo ou o prazer para aprendermos algo novo - e esse é um dos mais esquecidos motivos para investirmos numa nova ordem educacional em nosso país. De fato, no meu caso, aprendo também por gostar desse estado interior correspondente ao "coquetel" de hormônios e substâncias naturais que o meu organismo produz, além de novos neurônios, quando estou aprendendo algo novo. Mesmo no caso do estudo de bateria, cuja sonoridade nem me é agradável, sendo que aquela que tenho em casa tem todos os instrumentos abafados com tecidos e borrachas!
Voltando um pouco à PNL, creio que mesmo que ela possa nos proporcionar um mecanismo através do qual sejamos capazes de despertar nossa motivação ou nosso prazer, associando-a ao desejo ou necessidade de enfrentarmos novos desafios (com submodalidades, modelagens, ancoragens, alinhamentos neurológicos, mudanças ou construções de histórias pessoais, etc), eu penso que não foi exatamente com essa finalidade que ela foi elaborada - isso porque a PNL em si mesma possui poucas técnicas próprias, sendo que a maior parte delas é uma sistematização e organização de estratégias de outras abordagens. Ainda acredito que a maior contribuição da PNL foi a proposição de uma nova atitude frente às experiências de vida lembradas, imaginadas ou vividas, com seus importantes pressupostos. Esse é um tema que muito me interessa, especialmente se meditarmos sobre as três próximas questões epistemológicas:
1) Posicionamento: Richard Bandler, o mais controvertido criador da PNL, costuma dizer que, nesses quase trinta e cinco anos desde que se iniciou a sua construção e difusão, muitos praticantes ficaram empacados em gerações anteriores desse conhecimento, admitindo que a cada dez anos a PNL passou por significativas transformações;
2) Amadurecimento: nos trabalhos de Richard Bandler, ao longo desse tempo desde a criação da PNL, fica evidente uma mudança na importância atribuída às submodalidades individualmente, dentro dos programas ou estratégias ou nas cinestesias... Sendo que houve um encaminhamento desde as técnicas mais visuais até as mais cinestésicas, conforme Bandler lembra que Einstein afirmava, assim como grandes outros cientistas: "Eu sinto que é assim!", talvez referindo-se também à importância da intuição e outras sinalizações inconscientes.
3) Evolução e outras contribuições: a criação e apresentação de linhagens dissidentes ou evolutivas (entre as mais conhecidas estão a Terapia da Linha de Tempo, New Code, Design Human Engineering e outras) poderiam ser compreendidas como conseqüência do amadurecimento das pessoas e sua psique em constante evolução (Ernest Rossi encontrou duas novas tipologias oníricas quando buscou reproduzir experimentos e observações de seu mestre Carl G. Jung) ou das limitações da PNL original;
Bem, vamos por partes... Se a PNL pode ser considerada como uma "ciência" da comunicação (padrões de linguagem hipnótica e "rapport"), uma "ciência" do aprendizado (modelagem e abordagens generativas), da excelência humana (abordagens estratégicas) ou da terapia (abordagens adaptativas), isso apenas acontece porque ela pretende possuir o código da linguagem entre o universo interior humano (subjetivo) e a razão portada pela consciência.
No que se refere à aprendizagem, principalmente numa dimensão afetiva, creio que a primeira das mais significativas contribuições da PNL está na validação da experiência individual, pois essa é uma importante decorrência de seu estudo, sendo uma atitude implícita nas pressuposições que a sustentam e que possibilitam o resgate da auto-estima e da auto-confiança para aceitar e lidar com os resultados (fracassos ou sucessos) das explorações de cada um de uma forma mais isenta de julgamentos.
Considero outra importante "jóia" o valor e a ênfase dados à percepção, principalmente na medida que o aprendizado da própria PNL já, insistentemente, exercita e desenvolve a percepção, mesmo que muitos de seus adeptos insistam em teorizar ou fantasiar teorias e explicações e elaborar crenças para aquilo que percebem - não há mal algum nisso, desde que saibamos que já não é mais PNL.
O terceiro grande legado é a modelagem e suas implicações imediatas, sejam verdadeiras ou não, de que qualquer competência ou habilidade que alguém possua pode ser aprendida! Embora tal compreensão possa, muitas vezes, iludir o interessado que se esqueça que a vivência e o tempo de prática e experimentação não podem ser substituídos ou compensados pelas técnicas e estratégias, muito menos os ganhos secundários dessa exposição ao objeto do aprendizado. Isso também é verdade se levarmos em conta ainda o aspecto motor, já mencionado, cujo tempo de organização e amadurecimento é mais lento que a plasticidade das experiências emocionais, mentais ou cognitivas.
Além disso, a modelagem pode parecer um processo menos criativo quando avaliamos as novas doutrinas das mudanças generativas, bastante exploradas nas abordagens terapêuticas ericksonianas e pós-ericksonianas ou mesmo no Design Human Engineering (DHE). Resumidamente, ao tratar de um problema que leva um indivíduo à terapia, a PNL oferece um grande arsenal de técnicas bastante úteis à solução dessa questão.
Entretanto, menos preocupado com o diagnóstico ou compreensão do problema, um educador buscaria descobrir qual seria o tipo de aprendizado ou experiência que induziria esse sujeito a aprender ou a descobrir a sua solução mais criativa e apropriada. Numa analogia simples, imagine que deseja obter um copo de água limpa quando somente possui um copo com água suja... Pensando no problema, talvez você conceba um sistema de filtragem para retirar as impurezas dessa água... Um representante de abordagens generativas procuraria uma fonte de água limpa mais próxima e, inseriria água limpa no copo e esperaria o tempo necessário para que a mistura e transbordamento do copo mostrasse uma água com a pureza desejada.
Na minha opinião, quando buscamos aprender ou refinar algum conhecimento, via de regra estamos em busca da conquista da excelência. Os chineses possuem uma palavra para isso: Kung Fu (especialidade). Ter bom Kung Fu significa saber algo com grande experiência e profundidade, não importando se é culinária, esporte, engenharia, administração, pesca ou outra habilidade qualquer.
Eu admito que a excelência possua alguns atributos bastante freqüentes, independente de onde ela se apresente. Essas qualidades da excelência provavelmente incluem a paciência, dedicação e muita prática, discernimento, criatividade, talento e habilidade, técnica, perseverança, agilidade, boa memória, coerência, congruência, confiança, concentração, planejamento, flexibilidade, arte, sensibilidade, percepção, inteligência, entre outros. Identificar ou reconhecer tais características da excelência permite-nos compreender melhor a jornada de sua busca, seja lá qual for a competência desejada. Eu gosto muito de acreditar que a excelência é um patrimônio da humanidade, sendo que qualquer um é capaz de expressa-la em pelo menos um universo de sua própria vida, embora nem sempre saiba qual é!
Na minha prática cotidiana de ensinar e aprender, muito influenciada por aprendizados motores conforme já mencionei, costumo utilizar uma classificação mais simples dos conhecidos níveis neurológicos trazidos da cibernética para a PNL, dando especial atenção a aspectos motivacionais e à disponibilidade de aprender. Isso também porque compreendo que essa "ciência" enquanto linguagem, código ou manual de instruções de nosso funcionamento subjetivo não foi elaborada para submeter seus mais íntimos desejos, motivações ou necessidades aos desígnios da mente e da vontade culturalmente condicionadas! Creio que esse tenha sido a mais importante das minhas descobertas quando tive a oportunidade de conhecer pessoalmente os grandes mestres da PNL - Grinder e Bandler.
Pelo que já li, isso não está escrito nos livros, embora esteja implícito em tantas descrições de demonstrações e ensinamentos. Isto é, que todo o conjunto de conhecimentos é apenas destinado à possibilidade treinarmos e desenvolvermos melhor a habilidade de expressarmos mais genuinamente a nossa individualidade, e não para pasteurizarmos e homogeneizarmos o sucesso social ou conquistarmos metas cujo valor cultural nos é imposto pela sociedade de consumo: a PNL é essencialmente um modelo de respeito ao indivíduo!
Essa equação que utilizo mais freqüentemente é assim organizada:
disponibilidade (para aprendermos algo novo, muitas vezes, é necessário termos desprendimento para nos livrar de conhecimentos antigos que nos limitem as perspectivas),
sentido (qual é a diferença entre aqueles objetivos que estabelecemos e atingimos e aqueles outros que, independente do esforço empreendido, não acontecem?),
procedimentos (as técnicas, "receitas de bolo" ou "caminho das pedras" daqueles que vieram antes de nós e podem nos encurtar o processo empírico),
discernimento (adquirido a partir da prática e exploração do universo a ser apreendido) e
atitude ou identidade (que inclui um reconhecimento das competências inconscientes de organização e síntese de memórias e experiências, da qual decorre novos sentimentos de auto-confiança e auto-respeito, entre outros).
Há ainda um eminente pensador desse assunto, Peter Senge, envolvido com o aprendizado corporativo e criador do modelo das "Organizações de Aprendizagem", cujas influências doutrinárias provêm de modelos comuns à PNL (cibernética, entre outros) e cuja representação do processo de aprendizagem é sistêmica e mostra elegantemente o movimento e a interatividade dos diferentes atributos do processo de aprender, conforme abaixo ilustrado:
Adaptando esse diagrama e ajustando alguns conceitos ao jargão da PNL, além de representar a dinâmica com mais relacionamento, eu o represento da seguinte forma:
Tendo pontuado algumas relevantes questões de referência de meu modelo de compreensão dos processos de aprendizagem e considerando que a superficialidade dessa apresentação está condicionada em parte à falta de tempo própria de um congresso, esse breve artigo tem a finalidade de despertar a curiosidade, a motivação e o interesse por um aprofundamento nesses assuntos tão apaixonantes que compõem uma das várias faces do auto-conhecimento. Fica enfim um convite à disposição de experimentar novos aprendizados, à pesquisa bibliográfica ou a consulta de diversos outros conteúdos disponíveis no site www.idph.net